Dica aos assaltantes wannabe: Convicção é tudo.
Estratégias de abordagem, técnicas de intimidação, equipamentos básicos necessários, dicas de comportamento em ação, vestuário, metas de expansão dos negócios, marketing do medo, dinâmica entre grupos rivais, tudo isso e muito mais você vê aqui, porque está começando… O Guia Máximo do Roubo, aqui no Discovery Channel.
Pode parer complicado no inicio, eu sei, mas você deve ser forte e seguir em frente com sua idéia, afinal de contas você quer ser um fora da lei, marginal, criminoso, escória da sociedade e protegido dos direitos humanos, certo? Então deixe de bobagens e vamos ao que importa.
O importante é que você saiba o que quer e tenha uma idéia mínima de como fazer com que isso se realize. Vamos exemplificar aqui, com uma situação totalmente hipotética que jamais aconteceu com ninguém, afinal de contas, é uma situação hipotética, certo?
Então vamos lá, imagine que você esta de bobeira, por aí, num domingo de manhã próxima a, deixe-me imaginar, uma estação de barcas. E que próximo a ela existe um grande shopping. É domingo, é manhã e um inocente casal de namorados passa próximo a você. Eles estão completamente distraídos, alvos fáceis concorda? Se a vida lhe deus limões, cale a boca e fique com a droga dos seus limões, é o que sempre digo.
Não perca a chance, vá até eles, com calma e desinteresse. Chegue perto o bastante para você poder xingar o rapaz de um distancia segura em que você possa apontar para o rosto dele esticando os braços e ainda permita uma fuga estratégica caso necessário, afinal você só está armado de sua convicção, ele pode estar com uma arma ou até mesmo uma banana de borracha, nunca se sabe.
Siga-os até pararem em, vou imaginar novamente, um sinal de transito. Lá aborde os dois pela frente, coloque a mão no bolso da bermuda florida fingindo segurar uma arma, tenho certeza que você sabe como fazer isso (OBS: Torça para que ambos tenham uma rara doença que os impossibilite de ter noção de volume, caso contrário eles perceberão que você não está segurando ABSOLUTAMENTE NADA). Grite, como foi dito a convicção é tudo, faça-os sentirem medo, muito medo, muito medo mesmo, e manda novamente que eles lhe entreguem os celulares. Neste momento você pode ameaçar “estourar os miolos” do que estiver mais perto de sua mão no bolso vazio.
Vale lembrar que eles podem não ser idiotas a ponto de te obedecerem, isso acontece principalmente se você gaguejar ou não conseguir mostrar quem é que está no controle da situação (lembre-se, deve ser você). Mas nessa vida nem tudo são flores, caso eles você seja um completo retardado, eles vão embora, nesse caso grite, essa é sua ultima chance de tentar provocar medo, mas lembre-se, sua meta nesse momento é fugir da área de sua tentativa de crime, afinal eles podem saber que existe uma cabine da policia sempre com um guarda na praça no quarteirão seguinte, próximo à entrada do shopping, quero dizer, pode ser que tenha, isso é só uma suposição.
Mas lembre-se, nunca, jamais, em hipótese alguma tente fazer isso em indivíduos obesos, eles podem parecer pacíficos, dóceis e que não representem perigo algum, mas acredite, SÃO. Fique longe deles a todo custo. Se eles estiverem acompanhados da namorada então, para sua segurança é melhor até que lhe dê mimos, só assim você estará seguro (ou não). Mas jamais esqueça, se você consegue vê-los, eles já te viram.
No próximo episódio: 1001 dicas de como se vestir para assaltar um banco. Não perca!
Leia também: Tutorial: Como entrar para a milícia (How to join militia)
Notebook e Transporte público, a Missão.
Quem mora no Rio de Janeiro, e atualmente em qualquer cidade com mais de 2k habitantes, sabe como é complicado andar de ônibus. Até mesmo a linha mais segura pode virar alvo de um assaltante sem necessidade nenhuma de explicação. Eu nunca fui assaltado em toda minha existência, não sei se por sorte, ou por geralmente aparentar ser o passageiro mais monetariamente ferrado, mas já presenciei dois. No primeiro caso eu estava voltando do colégio, coloque aí uns 2 anos atrás ou mais, quando o ônibus parou em um ponto e o assaltante puxou a mochila de um outro estudante que estava mais a frente do ônibus e saiu correndo. Ele não contava que um outro passageiro anônimo iria correr atrás dele (e quase serem atropelados por um outro ônibus) e recuperar a mochila.
No outro, que foi na mesma linha porém no sentido contrário, o ônibus trafegava quase vazio e eu estava sentado na janela com minha mochila “largada” no banco do corredor, eu praticamente podia ver o outdoor com uma seta vermelha apontando para ela com os dizeres “ROUBE!”. Foi quando uma mulher entrou no ônibus e se sentou no banco em frente ao trocador, de repente um sujeito vindo de trás do ônibus sentou ao seu lado, começou a falar com ela e saiu no primeiro ponto adiante. Assim que ele desceu, ela avisou que acabava de ser assaltada. Quase todos os 7 passageiros (ignorando a assaltada) olharam para trás do ônibus e viram o safado correndo, exceto um que ficou perguntando TUDO que havia sido roubado. Mas tarde vim saber que esta técnica, um comparsa disfarçado de passageiro para distrair a atenção, é muito usada. E as perguntas são para ele saber o que o “outro” vai ter que dividir com ele.
O mais interessante é que dentro da minha mochila havia minha câmera digital da SONY com menos de um mês de vida, e na época valia uma pequena fortuninha. Acredito eu, que só não fui o alvo do assaltante graças ao modo com que minha mochila estava largadamente largada, pois eu era uma preza muito fácil.
Graças a esses dois “causos”, eu ter sido obrigado pela situação a levar meu Notebook ao curso de Inglês usando a mesma linha tanto na ida quanto na volta me deu um friozinho na barriga. A ida foi relativamente calma, afinal de contas, acredito que às 6h da manhã de um sábado qualquer assaltante está dormindo para recompor as energias para a próxima noite, mas a volta foi emocionante. O ônibus estava também quase vazio, agora percebo que a mochila chama MUITA atenção e meu olhar crítico de quem possui quase 2k Reais nas costas dizia que os dois passageiros perto da porta de saída eram meliantes em potencial. Por sorte, se eram, estavam em seu dia de folga. Cheguei em casa com meu Notebook em segurança, apesar dos meus vizinhos também me preocuparem (mais isso é outra história), e com o orgulho vazando pelo assaltante, digo, ladrão, por ter feito o que fiz sem maiores problemas.


















