O Rei e o Monstro, porque tantas pessoas se comoveram com a morte de Michael Jackson

July 18, 2009 · Filed Under Mundo Real · 2 Comments 
O Rei e o Monstro, porque tantas pessoas se comoveram com a morte de MJ
Era uma tarde como qualquer outra, eu estava alternando entre trabalho e twitter quando uma nova trending topic surgiu sem cerimônia. Em seguida outra. E outra. O que as diferenciavam de TTs (a abreviação de trending topics, ok?) comuns era o fato de que todas faziam referencia a uma única pessoa, e para isso acontecer algo estava muito errado, de fato, Michael Jackson estava morto.
Não precisou de confirmação dos noticiários, um simples post em um blog de fofoca foi mais do que o suficiente, o mundo já sabia em primeira mão que o Rei do Pop estava morto, mas por que surgia em mim uma sensação tão estranha com a notícia? E mais, por que tanta gente se importava com isso se todos, comigo incluso, o sacaneávamos fosse por seu visual, seu estranho caso com crianças, ou por sua mudança de cor (entre outros)?
De lá pra cá tenho certeza que você já ouviu mais músicas dele do que em toda sua vida, os vendedores de CD/DVD pirata exibem suas músicas e clipes nas ruas, as rádios tocam suas músicas, as emissoras de TV exibem seus clipes, o SBT reprisou seu filme como a séculos não fazia, me surpreende não terem criado o “Michael Roll”. Nesse ultimo mês sempre que era obrigado a ouvir suas músicas, eu dediquei um pouco de meu tempo para pensar no motivo real de tamanha comoção vinda de pessoas que antes o criticavam, porque eu sabia que diferente do que seus fãs alegavam, não era possível que tantas pessoas estivessem sendo hipócritas ao mesmo tempo.
No fim, descobri algo que agora me parece bem óbvio, Michael Jackson não era uma única pessoa. Calma, eu explico. Não falo de dupla personalidade ou qualquer outra coisa fantástica, falo do subconsciente de cada ser humano que não tenha morado em uma caverna desde seu nascimento. Até hoje co-existiram equilibradamente dois Michael Jackson.
O primeiro, surgido ainda criança, e negro, cantando com seus outros quatro irmãos em uma banda, seguiu carreira solo, encantou o mundo com seus passos de dança, botou pelo menos uma música de cada álbum no topo das paradas de sucesso pelo mundo, mas a muito tempo não aparecia, estava sumido da mídia a décadas, mas é e sempre será um ícone da música pop enquanto a musica existir.
O segundo, homem branco, de hábitos suspeitos, extravagantemente discreto, obsessivo compulsivo, apareceu pela primeira vez na década de dois mil, pai de crianças com as mais variadas mães, e, assim como o atual presidente do senado Brasileiro, queria que todos acreditassem em suas desculpas esfarrapadas para explicar seus casos com menores de idade.
E eis, que em um dia normal, ambos morrem e são postos no mesmo caixão. Acreditem, não é hipocrisia, é muito mais complexo. Se tal homem branco morresse sozinho, o mundo seria um lugar melhor e ponto. Se Michael Jackson tivesse morrido sozinho, as pessoas teriam reagido exatamente igual reagiram, porém sem a estranha sensação de estarem fazendo algo errado.
Nenhum dos supostos hipócritas está culpando ninguém, nem mesmo o pai de MJ, que deve ter sua parte de culpa no que aconteceu maior que a dos demais. Se eles, os hipócritas, possuem alguma culpa, é a de serem sinceros. Ídolos, independente do nível de idolatria e do motivo da mesma, são seres estranhos que conseguem nossa admiração de forma unilateral. Hipocrisia é dizer que não sabe disso.
Este texto foi escrito ao som de The King of Pop – Michael Jackson, baixado legalmente de um site que o ofereceu sem custos em homenagem a sua morte.
Espero dar vida novamente ao blog, então deixo vocês com uma citação do sábio Barney, segurança da BMRF, “Long time no see you, Dr. Freeman.”

Era uma tarde como qualquer outra, eu estava alternando entre trabalho e twitter quando uma nova trending topic surgiu sem cerimônia. Em seguida outra. E outra. O que as diferenciavam de TTs (a abreviação de trending topics, ok?) comuns era o fato de que todas faziam referencia a uma única pessoa, e para isso acontecer algo estava muito errado, de fato, Michael Jackson estava morto.

Não precisou de confirmação dos noticiários, um simples post em um blog de fofoca foi mais do que o suficiente, o mundo já sabia em primeira mão que o Rei do Pop estava morto, mas por que surgia em mim uma sensação tão estranha com a notícia? E mais, por que tanta gente se importava com isso se todos, comigo incluso, o sacaneávamos fosse por seu visual, seu estranho caso com crianças, ou por sua mudança de cor (entre outros)?

O Rei e o Monstro

De lá pra cá tenho certeza que você já ouviu mais músicas dele do que em toda sua vida, os vendedores de CD/DVD pirata exibem suas músicas e clipes nas ruas, as rádios tocam suas músicas, as emissoras de TV exibem seus clipes, o SBT reprisou seu filme como a séculos não fazia, me surpreende não terem criado o “Michael Roll”. Nesse ultimo mês sempre que era obrigado a ouvir suas músicas, eu dediquei um pouco de meu tempo para pensar no motivo real de tamanha comoção vinda de pessoas que antes o criticavam, porque eu sabia que diferente do que seus fãs alegavam, não era possível que tantas pessoas estivessem sendo hipócritas ao mesmo tempo.

No fim, descobri algo que agora me parece bem óbvio, Michael Jackson não era uma única pessoa. Calma, eu explico. Não falo de dupla personalidade ou qualquer outra coisa fantástica, falo do subconsciente de cada ser humano que não tenha morado em uma caverna desde seu nascimento. Até hoje co-existiram equilibradamente dois Michael Jackson.

O primeiro, surgido ainda criança, e negro, cantando com seus outros quatro irmãos em uma banda, seguiu carreira solo, encantou o mundo com seus passos de dança, botou pelo menos uma música de cada álbum no topo das paradas de sucesso pelo mundo, mas a muito tempo não aparecia, estava sumido da mídia a décadas, mas é e sempre será um ícone da música pop enquanto a musica existir.

O segundo, homem branco, de hábitos suspeitos, extravagantemente discreto, obsessivo compulsivo, apareceu pela primeira vez na década de dois mil, pai de crianças com as mais variadas mães, e, assim como o atual presidente do senado Brasileiro, queria que todos acreditassem em suas desculpas esfarrapadas para explicar seus casos com menores de idade.

E eis, que em um dia normal, ambos morrem e são postos no mesmo caixão. Acreditem, não é hipocrisia, é muito mais complexo. Se tal homem branco morresse sozinho, o mundo seria um lugar melhor e ponto. Se Michael Jackson tivesse morrido sozinho, as pessoas teriam reagido exatamente igual reagiram, porém sem a estranha sensação de estarem fazendo algo errado.

Nenhum dos supostos hipócritas está culpando ninguém, nem mesmo o pai de MJ, que deve ter sua parte de culpa no que aconteceu maior que a dos demais. Se eles, os hipócritas, possuem alguma culpa, é a de serem sinceros. Ídolos, independente do nível de idolatria e do motivo da mesma, são seres estranhos que conseguem nossa admiração de forma unilateral. Hipocrisia é dizer que não sabe disso.


Este texto foi escrito ao som de The King of Pop – Michael Jackson, baixado legalmente de um site que o ofereceu sem custos em homenagem a sua morte.

Espero dar vida novamente ao blog, então deixo vocês com uma citação do sábio Barney, segurança da BMRF, “Long time no see you, Dr. Freeman.”