Cumprindo com uma das minhas obrigações dominicais, ouvir as provas da Fórmula1 na BandNews FM, deparei-me com uma cena um tanto quanto inusitada. Um grupo de crianças se preparava para embarcar em dois ônibus de turismo, como de costume caindo aos pedaços e totalmente irregulares, para um domingo no parque, ou seja lá para onde estavam indo. O grupo era composto não só de crianças mas de algumas pessoas mais velhas, além dos coordenadores e staff em geral, mas dentre todos eles haviam alguns rostos que eu já conhecia, inclusive uma ex-colega de escola que tinha a familia muito ligada à igreja e que apesar dela ser meio “revoltada”, sempre estava na missa e participava de tudo quanto é tipo de evento que lá ocorresse.

Foi quando me lembrei da época em que fiz a primeira comunhão, não vou entrar em detalhes nem fala mal de toda a época, até porque aquilo me ajudou muito a formar minha opinião ver a verdade. Como toda turma de pré-adolescentes naquela época (acabo de me sentir um velho), o fim do “curso” significava mais do que a 1ª comunhão em si, mas sim na excursão que seria feita com todas as turmas e um numero mínimo de catequistas vigiando.
Como de praxe, e igual a todo anime, o personagem principal era totalmente “gamado” (continuo me sentindo um velho) na garota mais diferente da turma. E nesse caso ela era alta, clara, tinha o cabelo curto e perfeitamente bagunçado e um par de pernas grossas simplesmente perfeito, que fazia questão de deixar amostra com suas saias plissadas super curtas (e você achando que eu tinha entrado na comunidade “Adoro menina de saia plissada” por engano), e apesar de ter nome de homem (Carla, Paula, Roberta, ou algo do gênero) era simplesmente linda, mesmo que talvez por algum bloqueio, eu não consiga lembrar de seu rosto.
O mais estranho de tudo é que ela vivia grudada com um moleque dentre outras coisas mais gordo e feito do que eu e praticamente um retardado, e que parecia pensar nela como se fosse um amigo. Óbvio que eu também não era lá grande coisa, não que fosse um lerdo, mas digamos que eu tinha uma certa dificuldade para sincronizar pensamentos com ações e uma dificuldade enorme para por estratégias em ação. Entretanto nada me justificava aquele amor sem tamanho que ela tinha pelo maldito. Mas voltando à excursão.
Sortudo como eu era sou, o casalsinho possuía um plano para mim. A intenção era me por na fita (Essa expressão não está tão velha, está?) de uma garota que estudava no mesmo colégio que eu e era de uma, ou duas, turmas acima da minha. Ou seja, me sentir um lerdo 5 dias por semana não era suficiente, a meta eram 7 e não, eu nunca fui otimista. Obviamente eles conseguiram ocupar todos os bancos do ônibus num raio de 153Km, exceto o que ficava do lado dela. Apesar de haverem estudos em paralelo tentando provar que o banco ficou vazio graças a sua personalidade extremamente delicada.
Desnecessário dizer que a viajem foi a 9ª Maravilha do mundo, com eles achando que estavam me incentivando com todos aqueles gestos sem sentido, e que não rolou absolutamente nada dentro daquele ônibus. Nem comigo e a Sra. Delicadeza, nem entre o casal ternura. Na volta, eu que sempre fui um verdadeiro Ninja, consegui escapar de todas as armadilhas, e a única coisa que sei dizer, é que na viajem de volta ou trocamos de motorista ou desta vez ele acertou o caminho, pois a viajem levou aproximadamente umas 48h a menos.
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