Não costumo comentar sobre esse tipo de coisa, até porque não costuma acontecer muito já que minha afinidade com a humanidade não é das melhores, mas vou relatar um fato morroidético que aconteceu comigo ontem a noite. Estava voltando do trabalho e por motivos extraordinários fui avisado que eu estava encarregado de ir até a padaria (comprar pão, claro!). Sob protesto mas ainda sim obedecendo, desloquei-me até a padaria mais próxima de casa para comprar os malditos. Chegando lá, quando coloco o primeiro pé na calçada meu sentido cobalto (nunca fui ferrado por uma aranha genéticamente modificada) identificou um exemplar singular no caixa.

Ainda de uma distancia média vi aquela mulher LINDA no ultimo lugar da fila do caixa. Pele clara, corpo violino (violão é pros fracos), cabelo negro, liso e comprido, estilo “meia roqueira” e, como já disse, LINDA. Sim, ela não era boa de corpo e feia feito o cão, como a maioria absoluta de moradoras pelas bandas de onde moro. Continuei andando normalmente até entrar na padaria enquanto calculava todas as possibilidades e probabilidades tentando chegar em uma fórmula ideal.

A situação estava perfeita, eu vi antes de ser visto, estava em um dia decente e otimista. Pensei “O máximo que pode acontecer é eu levar um fora na primeira frase.” e entrei em modo “Hunter”. Normalmente eu entro em modo “furtivo” e nem mesmo o caixa nota minha presença quando chega a minha vez de ser atendido. Fui de passo em passo até a fila, e antes que eu chegasse o maldito que estava na frente dela saiu e ela começou a ser atendida. Minhas chances de ser notado foram reduzidas a praticamente nada, não dá pra chegar em uma pessoa que está sendo atendida e dizer “E aí gata, comprou o que queria? [Pausa para resposta] Pô, me espera um pouco aí que a gente bate um papo legal…“. Talvez funcionasse se eu tivesse 1,90m de altura, 110Kg (90Kg só de músculo ACIMA da cintura), fosse loiro e tivesse olhos azuis, mas não é o caso.

Ela então pediu um maço de cigarros Carlton Red (”Não cara, Carlton R-E-D, aquele ali, o vermelho”). Infelizmente mulher que fuma, para mim, é homem. Mas se aquilo era homem, era um homem fantástico. Antes que qualquer coisa pudesse ser pensada, chegou uma gorda filha duma… *Cof Cof*, bom, chegou uma mulher acima do peso e com os padrões femininos de beleza locais e tascou-lhe um beijo tão, vamos chamar de “bem dado“, que sua lingua quase chegou em mim. Depois de alguns segundos em “Kernel Panic” sem expressar reação ou exibir qualquer mensagem de erro, virei o rosto para o lado contrário tentando me recuperar daquela falha de estouro da pilha de memória (overflow) e vi os dois atendentes do balcão fazendo a mesma cara que eu.