Desde as épocas mais remotas de que tenho lembrança, aproximadamente 1997 d.C, eu sempre odiei ir ao mercado. Não digo ir de carro até o Carrefour dentro do Shopping, comprar entre outras coisas uma ou duas porcarias cheias de calorias e quantidade nula de qualquer coisa útil para o corpo. Estou falando de ter que ir a pé, e sozinho, até o mercado pé-de-rato que existe na esquina de qualquer casa pelo subúrbio do Rio de Janeiro. Sempre foi assim e acredito que sempre será.

Desde pequeno eu sempre tive um “sentido aranha” para esse tipo de coisa, eu praticamente podia prever quando iria ser obrigado, muito educadamente, a me arrastar até o falecido “Hesbom” ou por minha mãe, ou por minha avó ou o diabo a quatro. Não importava a situação, sempre sobrava para mim, a base da pirâmide hierárquica, fazer o trabalho sujo. E mesmo podendo prever eu nunca consegui evitar tal situação. E lá ia o pobre coitado do Daniel comprar fermento, desinfetante, cabeça de alho, entre outras coisas fundamentais para a sobrevivência humana.

E como subúrbio do Rio que se preze é cercado de favelas, logo, por mais que você só vá até o portão do vizinho você sempre encontrará o típico “favelado sacaneador”, aquele ser de pele parda, que nunca foi apresentado a uma camisa, usa o mesmo boné desde que tinha 2 anos, nunca lavou o supracitado boné, e consegue te ver até através de uma parede de 2m de espessura do mais puro chumbo do planeta. Esses lazarentos estão por todo o lugar, eles sempre te encontram, independente do esquema de segurança que você use. Você coloca um pé para fora do portão e não vê ninguém, você coloca o outro pé para fora do portão, e continua sozinho, mas basta você fechar o portão que lá estará ele te olhando à 500m de distância, e exatamente no meio do caminho mais curto até o seu destino.

Sem esquecer também dos pedintes desconhecidos, os pedintes semi-conhecidos, os chatos, os marrentos (que se acham donos da rua), os retardados acéfalos funkeiros, que sempre me olhavam como se eu fosse um retardado por ser considerado, por eles, um roqueiro (eles não me achavam acéfalo porque até hoje não conhecem essa palavra), e o segundo pior tipo de pessoas para se encontrar na rua, os temíveis “Amigos da familia”, raça alienígena que acha que você possui ligação psíquica com os seus parentes (coisa normal na raça deles) e que falando com você estará automaticamente falando com eles. Dispensam comentários, acho que todo mundo já teve que aturar um espécime dessa raça.

Acho que acabo de entender o que meu psicológo tanto me perguntava e eu nunca conseguia uma resposta.

P.S. A foto que ilustra este artigo foi gentilmente, e sem saber, cedida pelo Hoje é um Bom Dia

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