- Faz favor de mostrar isso?
Madalena agarrou uma folha que ainda não havia sido dobrada.
- Não tem que ver. Só interessa a mim.
- Perfeitamente. Mas é bom mostrar. Faz favor?
- Já não lhe disse que só interessa a mim? Que arrelia!
Mostra a carta, insisti segurando-a pelos ombros.
Madalena defendia-se, ora levantando o papel com os braços estirados, ora escondendo-o atrás das costas:
- Vá para o inferno, cuide de sua vida.
Aquela resistência enfureceu-me:
- Deixa ver a carta, galinha.
Madalena desprendeu-se e entrou a correr pelo quarto, gritando:
- Canalha!
D. Glória chegou à porta, assustada.
- Pelo amor de Deus! Estão ouvindo lá fora.
Perdi a cabeça:
- Vá amolar a puta que a pariu. Está mouca, aí com a sua carinha santa? É isto: puta que a pariu. E se achar ruim, rua. A senhora e a boa de sua sobrinha, compreende? Puta que pariu as duas.
D. Glória fugiu com o lenço nos olhos.
- Miserável! bradou Madalena.
E eu só sabia dizer:
- Mostra a carta, perua. (…) ”
Trecho retirado da obra: São Bernardo de Graciliano Ramos.
(isso não é um deja vu, é só pra testar o theme ^^)

















